Centrado, seu foco lhe exigia visão, energia e tato no que satisfazia sua audição. A quase interminável lista de músicas, que lhe trazia a memória dos tempos em que ele não sabia da minha ou da sua existência ali, sentados, ouvindo, pensando, nascendo. Fecha os olhos para enxergar melhor, se move, e se lembra de certo resto que lhe deixava com cara de desinteresse do mundo, que cansado esquece, para encontrar em um mundo só seu, tijolos que escalou no caminho até aqui. E a letra de uma das músicas o faz contar a história da cabeça cortada de Lampião, descrevendo a angústia de cabeças fora de seus corpos, que tremidos eram assistidos pela mente flutuante insistente em continuar a respirar ainda que sem pulmão. E apesar de minha comum náusea demonstrada a contos como esse, enxerguei qualquer outra coisa nele que me fez ouvir a história e achá-la interessante, talvez até uma boa história para se recontar. Tudo porque seus olhos traziam beleza a sua fala, que o fazia gesticular, se perder nas suas próprias palavras e voltar-se a qualquer outra canção. Não importava qual. Envolvido na busca do que já havia encontrado e descobrindo o que já conhecia bem, revia e reiventava. Ele era uma canção agora. E eu me perdendo na melodia que ele criava, com seu jeito de acompanhar suas músicas preferidas, mexendo os pés e franzindo a testa, da forma que me delicia assistir. Troca as mãos entre gaita e violão, os instrumentos que quando toca, queria saber porque, me faz de coração acelerado e pouca respiração. E devagar, enquanto pego meu caderno e começo a rabiscar sobre o que ele fazia faiscar nos meus olhos, do meu jeito, também viro canção................................assimetria.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Melodia
Centrado, seu foco lhe exigia visão, energia e tato no que satisfazia sua audição. A quase interminável lista de músicas, que lhe trazia a memória dos tempos em que ele não sabia da minha ou da sua existência ali, sentados, ouvindo, pensando, nascendo. Fecha os olhos para enxergar melhor, se move, e se lembra de certo resto que lhe deixava com cara de desinteresse do mundo, que cansado esquece, para encontrar em um mundo só seu, tijolos que escalou no caminho até aqui. E a letra de uma das músicas o faz contar a história da cabeça cortada de Lampião, descrevendo a angústia de cabeças fora de seus corpos, que tremidos eram assistidos pela mente flutuante insistente em continuar a respirar ainda que sem pulmão. E apesar de minha comum náusea demonstrada a contos como esse, enxerguei qualquer outra coisa nele que me fez ouvir a história e achá-la interessante, talvez até uma boa história para se recontar. Tudo porque seus olhos traziam beleza a sua fala, que o fazia gesticular, se perder nas suas próprias palavras e voltar-se a qualquer outra canção. Não importava qual. Envolvido na busca do que já havia encontrado e descobrindo o que já conhecia bem, revia e reiventava. Ele era uma canção agora. E eu me perdendo na melodia que ele criava, com seu jeito de acompanhar suas músicas preferidas, mexendo os pés e franzindo a testa, da forma que me delicia assistir. Troca as mãos entre gaita e violão, os instrumentos que quando toca, queria saber porque, me faz de coração acelerado e pouca respiração. E devagar, enquanto pego meu caderno e começo a rabiscar sobre o que ele fazia faiscar nos meus olhos, do meu jeito, também viro canção.quinta-feira, 14 de abril de 2011
Regando...

Talvez agora sinto odiar a rima, a sonoridade harmônica de palavras bem colocadas, o encaixe, o saber muito bem o que dizer. Procuro o caos? É isso que venho a fazer? Já nem dou mais ouvidos aos meus conflitos, tão costumeiros e bem ensaiados, só me trazem tédio, distanciamento, gritos tão silenciosos. Desisto e não acho ruim. Desisto, que alívio isso me dá! Eu não acostumo ficar longe das horas de quietude da madrugada, com seus ares azuis, tão diferente de uma tarde silenciosa e carregada de mormaço, ou de uma manhã quente em uma sala com ar condicionado. Nada se compara ao silenciar de mentes e da natureza, quando tudo ou quase tudo está parado, tudo o suficiente, acho. Como se eu existisse sozinha, talvez. Eu, meus devaneios e minhas palavras desorganizadas, com rimas acidentais, as únicas rimas que não sinto odiar, porque florescem apenas, não foram calculadas, encaixadas, nada disso. Elas existem como botões de flores que insistem em nascer onde não se imaginaria ou como capim que cresce rachando o chão de concreto. Não precisaria ser plantado, regado, esperado, lá está de repente, regado à sua própria natureza, nascendo inesperadamente. Penso como seria regar apenas, sem aguardar angustiadamente pelas flores tão desejadas. Regar em qualquer lugar, sem seguir manuais de jardinagem, botânica ou qualquer outro tipo de receita, e se surpreender com a infinita possibilidade do nascimento de flores talvez nunca vistas, nunca admiradas. Regar apenas, sem depositar as sementes definidas dos nossos planos e idealizações. Regar o portão de casa com um "bem-vindo" e uma carranca, regar a si mesmo com os mantras e orações que tocam o próprio coração, regar pessoas que não goste com um sorriso de bandeira branca, regar cômodos da sua casa com janelas abertas para receber o Sol, regar a dificuldade com paciência e sabedoria, regar os olhos com um pouco mais de cor e outras formas de enxergar, regar o trabalho com amor, gratidão, criatividade, regar o amor com rimas improvisadas. Desisto das sementes e tudo pré-programado nelas, todas as ideias e desejos que nela deposito, todas as angústias e expectativas, a pressão, a pressa, o objetivo sem apreciar o caminho, desisto delas e que alívio isso me dá. No caminhar, no pensar, no amar, no viver. Vou apenas regar.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Bom Moço

quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Sede
Meus dedos enferrujados tentam escrever o que meu olhar gritou todos os dias e você mal ouviu. Mas os deixo fluir em sua mais completa forma desregrada. Pouco importa o que dirão, pouco dizem porque assim me faço: de poucas palavras e muitos olhares. A tarde insistiu, pareceu durar como um dia inteiro. O Sol baixou e não percebemos, foi tudo embora: Sol, nuvem, arco-íris e aquele cheiro de sombra e água fresca. Chegou a hora de caminhar, criar, recriar, essa coisa toda de sonhos, perspectivas, opiniões, nesse momento não lhe parece tudo balela? Que importa? O céu se fez estrelado por hora, não quero saber quantas razões tem em fazer o que insisti em chamar de estúpido. Caminhe apenas, segure minha mão, me abrace de surpresa, cante alguma coisa, esqueça. Faz de conta que você fica a tempo de assistirmos mais alguns arco-íris, depois eu posso te ensinar a ouvir as plantas enquanto você me ensina a cozinhar. Mas faça somente de conta, em uma conta sem resultados exatos e pré-meditados nos conte, nos lembre, não importa que não continuará acontecendo, o que tinha para acontecer soube se fazer em completos e belos momentos, tão inteiros que não pedem condições. Agora caminhe apenas, não precisa me seguir, nem me peça para ensaiar seus passos, vá seguindo. Deixe tocar nossa trilha sonora poética quase sem romance, nosso abraço sem laço, nosso silêncio todo em suspiro. Continuo. Mais tarde me sirvo com uma próxima dose, quem sabe dessa vez me embreague.quinta-feira, 12 de agosto de 2010
(Des)Encontro
O que nunca ia embora, que ficava para sempre, que vivia no meu final feliz. Mal se deu no meu começo.O que ficou, pra que eu fosse embora.
O que foi embora, por não saber ficar.
O que ficou, mesmo indo embora.
O que está indo, mesmo querendo ficar.
Que distância há entre o pra sempre e o nunca mais?
Quem me garante que os suspiros e olhos brilhantes de hoje não vão se tornar futuras palavras empoeiradas?
Que se deixam esquecer pra que eu possa de novo terminar.
Que distância há entre certezas e o desconhecido?
Que terminam pra que eu possa de novo começar.
Me vê, me canta, me decifra. E não faz idéia de quem sou.
Me segura, me prende, me chora. E não sabe me sentir.
Me idolatra, me espera, me sorri. E nunca me enxergou.
Me ama, porque não devia.
Onde me começa? Onde me termina?
terça-feira, 1 de junho de 2010
O sentido sentimento que aprendeu a sentir...
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Tempo Bom
